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Queda de cabelo hormonal: quais hormônios podem afetar os fios e quando investigar

  • Foto do escritor: Dra. Thaísa Bramusse
    Dra. Thaísa Bramusse
  • há 11 minutos
  • 5 min de leitura
queda de cabelo hormonal em mulher precisa ser investigada

A queda de cabelo hormonal é uma das principais dúvidas entre mulheres que começam a perceber uma redução no volume dos fios, principalmente durante a menopausa ou diante de alterações hormonais. Mas será que todo cabelo que cai tem relação com os hormônios?


Na maioria das vezes, a resposta não é simples. Os hormônios exercem um papel importante na saúde dos cabelos, mas raramente explicam toda a história. Em muitas pacientes, a queda é resultado da combinação de diferentes fatores, como alterações hormonais, deficiência de ferro, emagrecimento rápido, doenças da tireoide, predisposição genética e até períodos de estresse intenso.


É por isso que, antes de pensar em tratamentos, suplementos ou procedimentos, gosto de fazer outra pergunta:

O que o seu organismo está tentando mostrar com esse sintoma?


Quando investigamos a causa da queda de cabelo, deixamos de tratar apenas os fios e passamos a cuidar da saúde da mulher como um todo.


Como saber se a queda de cabelo é hormonal?

Nem sempre é possível descobrir a causa apenas olhando para os fios. Mas alguns sinais costumam levantar essa suspeita e ajudam a direcionar a investigação.

Por exemplo:


  • afinamento progressivo do cabelo;

  • aumento da abertura da risca central;

  • queda que começou durante a menopausa;

  • alterações do ciclo menstrual;

  • acne e aumento da oleosidade;

  • aumento de pelos no rosto ou no corpo;

  • histórico de síndrome dos ovários policísticos (SOP).


Isso não significa que qualquer um desses sinais confirme um diagnóstico de queda de cabelo hormonal. Eles apenas mostram que vale a pena investigar com mais atenção.


Como os hormônios influenciam o crescimento dos cabelos?

Antes de entender quais hormônios podem interferir na saúde dos fios, vale conhecer rapidamente como o cabelo cresce.


Cada fio passa por um ciclo natural composto por três fases:

  • anágena: fase de crescimento;

  • catágena: fase de transição;

  • telógena: fase de queda.


Todos nós perdemos cabelos diariamente, e isso é completamente normal. O problema surge quando um número maior de fios entra precocemente na fase de queda ou quando os novos fios passam a nascer progressivamente mais finos.


É justamente nesse processo que alguns hormônios podem exercer influência.


Quais hormônios podem afetar a saúde dos cabelos?


Estrogênio

Uma frase que escuto com frequência é: "Doutora, meu cabelo nunca mais foi o mesmo depois da menopausa."

E essa percepção costuma fazer sentido.


O estrogênio ajuda a manter os fios por mais tempo na fase de crescimento. Com a redução desse hormônio durante a perimenopausa e pós-menopausa, é comum observar afinamento progressivo dos fios e perda de volume.


Isso não significa que toda mulher terá uma queda importante. Cada organismo responde de forma diferente às mudanças hormonais.


Testosterona e DHT

A testosterona também faz parte da fisiologia feminina. O que merece atenção é a ação do DHT (di-hidrotestosterona), uma substância formada a partir da testosterona.


Em mulheres com predisposição genética, o DHT pode provocar a miniaturização dos folículos capilares. Aos poucos, os fios passam a nascer mais finos, mais curtos e com menor volume.


Um detalhe importante é que muitas mulheres apresentam exames hormonais normais e, ainda assim, desenvolvem alopecia androgenética. Isso acontece porque o problema nem sempre está na quantidade do hormônio, mas na sensibilidade do folículo à sua ação.


Hormônios da tireoide

A tireoide regula o metabolismo de praticamente todas as células do organismo, incluindo os folículos capilares.


Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem provocar queda difusa, alteração da textura dos fios e redução da velocidade de crescimento. Quando existem outros sintomas sugestivos, investigar a função da tireoide é um passo importante.


Insulina

A resistência à insulina também pode interferir na saúde dos cabelos. Ela costuma estar associada ao aumento da produção de hormônios androgênicos, principalmente em mulheres com síndrome dos ovários policísticos.


Nesses casos, além da queda capilar, podem surgir acne, irregularidade menstrual, aumento da oleosidade e crescimento de pelos em regiões como rosto e tórax.


Cortisol

É muito comum atribuir toda queda de cabelo ao estresse. Na prática, essa relação é mais complexa.


Situações de estresse intenso podem desencadear um tipo de queda chamado eflúvio telógeno, que geralmente aparece alguns meses após o evento desencadeante. O cortisol participa desse processo, mas não é o único mediador: outras substâncias liberadas em resposta ao estresse, como neuropeptídeos e mensageiros do sistema imunológico, também podem interferir no ciclo do folículo capilar. Por isso, reduzir o cortisol sozinho nem sempre é suficiente para reverter esse tipo de queda.


Menopausa e queda de cabelo: por que isso acontece?

A menopausa representa uma fase de importantes mudanças hormonais, e o cabelo costuma refletir parte dessas transformações.


A redução do estrogênio pode favorecer o afinamento dos fios. Além disso, alterações no metabolismo, na composição corporal, no sono e até no nível de estresse também podem contribuir para mudanças na saúde capilar.


Quais exames investigam a queda de cabelo hormonal?

Não existe um exame único capaz de explicar toda queda de cabelo. Também não existe uma lista de exames que sirva para todas as mulheres.


A investigação começa pela avaliação clínica: anamnese detalhada (histórico menstrual, uso de medicações, dietas recentes, doenças na família, padrão e tempo de evolução da queda) e o exame do couro cabeludo, com auxílio da tricoscopia, que amplia a imagem dos fios e do couro cabeludo para identificar padrões específicos de queda.


Com base nesses achados, decidimos quais exames fazem sentido investigar. Entre os mais comuns, estão:


  • Função tireoidiana (TSH e T4 livre), já que tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem causar queda difusa.

  • Reservas de ferro (ferritina), pois a deficiência de ferro está entre as causas mais comuns de queda em mulheres, mesmo sem anemia instalada.

  • Perfil hormonal, que pode incluir testosterona, DHEA-S e prolactina, principalmente quando há outros sinais associados, como irregularidade menstrual ou acne.

  • Metabolismo da glicose, com glicemia e, em alguns casos, avaliação de resistência à insulina.

  • Vitaminas e minerais específicos, como vitamina D, B12 e zinco, quando a história clínica sugere essa investigação.


O mais importante é lembrar que os exames respondem perguntas levantadas durante a consulta. 


O que pode causar queda de cabelo além dos hormônios?

Esse é um ponto que considero fundamental. Embora os hormônios possam participar da queda capilar, eles estão longe de ser a única causa.


Na prática, também encontramos situações como:

  • deficiência de ferro;

  • ingestão insuficiente de proteínas;

  • emagrecimento rápido;

  • pós-parto;

  • uso de alguns medicamentos;

  • doenças inflamatórias do couro cabeludo;

  • predisposição genética;

  • estresse físico ou emocional.


Por isso, tratar apenas um exame alterado nem sempre resolve o problema. O cabelo pode ser o sintoma, mas a causa, muitas vezes, está em outro lugar.


Existe tratamento para queda de cabelo hormonal?

tratamento para queda de cabelo hormonal na mulher

Sim, mas o tratamento depende da causa identificada. Falo isso porque já recebi pacientes falando: “Dra. já comecei a usar suplemento, mas ainda não vi melhora”.


Sem saber a causa, tomar suplementos pode ser jogar dinheiro fora. Ou pior, causar algum desequilíbrio no seu organismo.


Em algumas mulheres, controlar uma alteração hormonal faz toda a diferença. Em outras, será necessário corrigir deficiências nutricionais, tratar doenças associadas, manejar a alopecia androgenética ou combinar diferentes estratégias.


É justamente essa individualização que aumenta as chances de sucesso, porque não existe um tratamento que funcione para todas as pessoas. 


O que costumo explicar às minhas pacientes

Se você chegou até aqui, gostaria que levasse quatro mensagens:


  • Nem toda queda de cabelo é hormonal.

  • Nem toda alteração hormonal provoca queda de cabelo.

  • Exames só fazem sentido quando existe uma boa hipótese clínica.

  • O tratamento mais eficaz é aquele direcionado para a causa e não apenas para o sintoma.


O cabelo reflete o seu organismo

Quando uma mulher percebe que o cabelo está caindo mais do que o habitual, é natural querer encontrar uma solução rápida. Mas, na maioria das vezes, o melhor caminho é outro: entender por que isso está acontecendo.


O cabelo costuma refletir o que está acontecendo dentro do organismo. E quanto mais cedo conseguimos identificar a causa da queda, maiores são as chances de construir um tratamento realmente individualizado, respeitando a história, a fase da vida e as necessidades de cada paciente.


Um abraço,

Dra. Thaísa Bramusse

CRM 50.338


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