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  • Foto do escritorDra. Thaísa Bramusse

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): sintomas, diagnóstico e tratamento



A Síndrome dos Ovários Policísticos, ou SOP, é uma condição que afeta muitas mulheres. Atendo frequentemente pacientes que sofrem com sintomas e complicações mas, até então, não tinham conseguido fazer o tratamento adequado.


Hoje, vou esclarecer um pouco sobre os sintomas, como é o diagnóstico e o tratamento para a SOP. Fiquem atentas, pois muitas de vocês podem estar sofrendo com o problema, sem ter o diagnóstico correto, ou até mesmo tratando de forma ineficiente.


Siga a leitura!


Quais os sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) afeta mulheres em idade reprodutiva. Trata-se de um desequilíbrio hormonal, caracterizado pelo hiperandrogenismo, ou seja, um aumento desproporcional dos hormônios masculinos (androgênios).


Os sintomas da SOP podem variar de uma mulher para outra, bem como a intensidade.


São sintomas comuns da SOP:

  • Ciclos menstruais irregulares: uma das características mais comuns da SOP. A mulher pode ter ciclos menstruais muito longos (oligomenorreia), ciclos ausentes (amenorreia) ou sangramento excessivo.

  • Acne persistente e pele oleosa

  • Excesso de pelos corporais (hirsutismo) e queda de cabelo

  • Ovulação irregular ou ausente: mulheres com SOP podem ter dificuldade para engravidar.

  • Cistos nos ovários: pequenos sacos cheios de líquidos. Mas nem todas as mulheres com SOP apresentam cistos.

  • Resistência à insulina: uma das principais características da SOP.

É uma condição na qual as células se tornam menos sensíveis à insulina. Esse hormônio produzido pelo pâncreas desempenha papel fundamental no metabolismo da glicose.


Nessa condição, o pâncreas produz maior quantidade de insulina, tentando compensar essa resistência e manter a glicose equilibrada. Com o tempo, o pâncreas pode não conseguir mais compensar esse desequilíbrio, levando ao diabetes tipo 2 e a outras complicações, como obesidade, dislipidemia, hipertensão e risco cardiovascular.


Como é o diagnóstico da SOP?

O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos é feito com base no Consenso de Rotterdam (2003), que estabeleceu o critério.

  • Mulheres adultas: pelo menos, dois dos seguintes fatores

  • Adolescentes (2 anos pós-menarca, até os 19 anos incompletos): três dos seguintes fatores

Consenso de Rotterdam

  1. Oligovulação ou anovulação (ciclos irregulares ou ausentes)

  2. Hiperandrogenismo (excesso de hormônios androgênicos, hirsutismo, acne, calvície)

  3. Ovários policísticos evidenciados por ultrassom


Além de cumprir o critério, é preciso que sejam descartadas outras alterações que causem o hiperandrogenismo. Para isso, precisamos realizar alguns exames de sangue e de imagem, além da avaliação clínica e relatos da paciente. Ou seja, é um processo que pode envolver algumas etapas.


Quais exames auxiliam no diagnóstico da SOP?

Anamnese

Avaliação clínica do paciente. O médico avaliará os aspectos físicos típicos da síndrome, o histórico médico e os sintomas relatados pelo paciente.


Exames laboratoriais

Exames de sangue para avaliar níveis hormonais, por exemplo, FSH (folículo-estimulante), LH (hormônio luteinizante), testosterona, estradiol, prolactina, glicemia, entre outros.


Ultrassonografia

O ultrassom pélvico ou transvaginal avalia a presença de cistos no ovário, além de alterações no aparelho reprodutor. Lembrando que, como falei anteriormente, nem todas as mulheres com a síndrome apresentam ovários policísticos.


Além desses exames, o médico pode solicitar outros complementares, respeitando a individualidade de cada mulher.


Qual o tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos?

Esse é um dos principais erros cometidos pelas mulheres com SOP. De fato, por muito tempo, o uso de anticoncepcionais hormonais foi tido como tratamento para a síndrome, pois o medicamento ajuda a regular o ciclo menstrual e a reduzir problemas de pele, por exemplo.


Dessa forma, havia a impressão equivocada de que o tratamento era eficaz. O problema é que, além de não tratar um dos maiores riscos da SOP, que é a resistência insulínica, pode agravá-la.


O tratamento adequado visa controlar os sintomas, melhorar a saúde metabólica, reduzir os riscos associados e ajudar a mulher a engravidar, quando esse for o desejo.


Por isso, são necessários cuidados multifatoriais:


Mudança no estilo de vida

É recomendado que a mulher reduza a inflamação crônica subclínica e mantenha o peso adequado. Para isso, é fundamental investir em uma alimentação saudável, rica em alimentos naturais, pobre em industrializados, ultraprocessados e açúcar.


Os exercícios físicos vão ajudar no controle do peso e na saúde metabólica, pois contribuem para melhorar a sensibilidade à insulina e a regularidade menstrual.


Emagrecimento

O emagrecimento vai contribuir para reduzir os sintomas, principalmente, a resistência insulínica. Isso permite maior controle sobre os riscos associados (diabetes, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares).


Medicamentos

Além de avaliar a necessidade de reposição hormonal, o médico pode prescrever medicamentos antiandrogênicos e a metformina. Este último ajuda no controle da resistência insulínica.


Além disso, existem suplementos importantes que podem ser usados, como o mio-inositol (principalmente, para quem não se dá bem com a metformina), antioxidantes, ácido fólico, vitamina D, ômega 3, entre outros.


A prescrição é sempre individualizada!


Indução da ovulação

Quando a mulher deseja engravidar, pode ser necessário um tratamento específico para induzir a ovulação. Além disso, a fertilização in vitro (FIV) também é uma alternativa em alguns casos.


Tratamentos complementares

Como a SOP atinge as mulheres de formas distintas, os tratamentos também são diferentes.


Para mulheres com hirsutismo (excesso de pelos), por exemplo, pode ser recomendada a depilação a laser e medicamentos. Para a acne, também existem medicamentos tópicos e sistêmicos.


Da mesma forma, o excesso de peso e alterações hormonais podem contar com protocolos específicos.


O mais importante é você receber o diagnóstico correto da SOP, excluindo outras condições com sintomas semelhantes.


A partir daí, o tratamento respeitará e tratará a sua condição e seus objetivos.


Se ficou alguma dúvida sobre a síndrome dos ovários policísticos, não deixe de me perguntar!


Até a próxima!

Dra. Thaísa Bramusse


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