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  • Foto do escritorDra. Thaísa Bramusse

Endometriose: 8 erros no diagnóstico e no tratamento


A endometriose afeta entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. É uma doença que se manifesta de forma diferente em cada paciente, podendo ser assintomática ou provocar dores incapacitantes e outras complicações graves.


A endometriose é caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, podendo atingir a cavidade pélvica, o peritônio, o intestino, a bexiga, as trompas e os ovários, principalmente.


Como médica, o que me preocupa bastante é a demora no diagnóstico e a falta de tratamento adequado, que poderiam controlar os sintomas, evitar a evolução da doença e suas consequências.


Por isso, vou listar aqui os erros mais comuns no diagnóstico e tratamento da endometriose, que poderiam ser evitados!


1 - Achar que a dor é normal

Inúmeras mulheres sofrem com as dores intensas da endometriose e acreditam que são dores normais, parte do ciclo menstrual.


Dores incapacitantes não são normais. Além disso, precisa ser investigada:

  • Dor intensa durante a menstruação e em outras fases do ciclo;

  • Dor na região pélvica, nas costas e no abdômen;

  • Dor durante a relação sexual;

  • Dor ao urinar e ao evacuar.

2 - Demorar a receber o diagnóstico

Mulheres demoram, em média, 7 anos para receber o diagnóstico de endometriose. Há algum tempo, a cantora Anitta relatou ter sofrido com sintomas durante 9 anos, antes de receber o diagnóstico de endometriose.


Essa demora não só afeta por anos a qualidade de vida da mulher, como permite a progressão da endometriose.


Por isso, é preciso investigar as dores e outros sintomas:


  • Alterações no hábito intestinal (constipação e diarreia) principalmente durante a menstruação;

  • Dificuldade de engravidar;

  • Massa palpável na pelve ou abdômen;

  • Fluxo menstrual intenso e escapes;

  • Sangramento nas fezes;

  • Exaustão e fadiga.

3 - Não se consultar com especialista

Um médico especialista em endometriose vai levar em consideração o exame clínico, o histórico médico da paciente e os exames de imagem complementares. Todos são importantes para fechar o diagnóstico.


Os exames de imagem indicados para detecção e mapeamento da endometriose são o ultrassom transvaginal (com preparo específico) e a ressonância magnética.


O mapeamento da endometriose é importante para investigar o estágio da doença, que vai de 1 a 4, conforme a gravidade, a quantidade de lesões e a profundidade.


Saber o estadiamento da endometriose é essencial para determinar o tratamento adequado.


A endometriose profunda

A endometriose profunda é o estágio mais avançado da doença, quando o grau de profundidade é superior a 5mm e o risco de complicações é maior, como a infertilidade e as dores intensas. Mas ela pode ser assintomática.


É menos frequente do que a endometriose superficial, que caracteriza estágios iniciais e que predomina entre as mulheres.


4 - Associar a dor ao estadiamento da doença

Como disse anteriormente, a endometriose profunda, que é a condição mais grave da doença, pode ser assintomática e descoberta em um exame de rotina ou ao investigar a infertilidade.


Por outro lado, mulheres com quadros mais leves podem sofrer com sintomas intensos.


5 - Não fazer o tratamento adequado

Seguir o tratamento adequado é a maneira de controlar a progressão da endometriose e aliviar os sintomas.

Mulheres que desejam engravidar, mesmo que no futuro, devem iniciar o tratamento assim que receberem o diagnóstico. A endometriose não tratada pode causar infertilidade permanente, sem mencionar os danos à saúde e à qualidade de vida.


Tratamento clínico X cirúrgico da endometriose

A definição do tipo de tratamento depende do estadiamento da endometriose e dos sintomas relacionados.

As terapias com pílula, DIU Mirena e implantes hormonais, por exemplo, costumam ser indicadas nos casos em que os focos de endometriose estão em um estágio inicial e não acometeram grandes áreas ou a funcionalidade de órgãos.

A função do tratamento é controlar a progressão do endométrio e aliviar os sintomas.

Já nos quadros em que o endométrio se espalhou, inclusive para fora da região uterina e compromete a funcionalidade dos órgãos, o procedimento cirúrgico pode ser recomendado e realizado por videolaparoscopia.

A cirurgia remove os focos da endometriose, buscando preservar a integridade dos tecidos acometidos. No entanto, nem sempre é possível remover todo o tecido endometrial.

6 - Não mudar o estilo de vida


Além dos tratamentos mencionados, a endometriose demanda mudanças no estilo de vida, para melhor manejo dos sintomas. Acredite, o sucesso do seu tratamento pode depender disso.


É preciso controlar a inflamação crônica subclínica e melhorar hábitos:

  • Mantenha o peso adequado;

  • Controle o estresse;

  • Não fume;

  • Modere o consumo de açúcar, álcool, carne vermelha e ultraprocessados;

  • Pratique exercícios físicos;

  • Mantenha uma dieta saudável e anti-inflamatória;

  • Cuide da qualidade do sono.

Além disso, práticas como fisioterapia pélvica e acupuntura podem ajudar no controle da dor.


7 - Considerar a endometriose curada

A endometriose é considerada uma doença crônica, ou seja, pode ser controlada, mas não há cura.


O tratamento clínico tem a função de estabilizar a progressão da doença e os sintomas, mas não a elimina.


As lesões da endometriose podem, inclusive, ficar menos ativas durante a terapia hormonal. Mas se você interrompê-la, elas tendem a evoluir e os sintomas a retornar.


A cirurgia também é uma forma de controle, não de cura. É preciso deixar isso claro para a paciente e alinhar as expectativas.


Por mais que seja possível remover todos os focos de endometriose, durante o procedimento, eles podem surgir novamente. Cada paciente pode ter uma evolução distinta.


8 - Acreditar que não poderá engravidar

Além de ser a principal causa de dor pélvica feminina, a endometriose é a principal causa da infertilidade.

Em torno de 50% das mulheres com endometriose podem ter dificuldade para engravidar. Além disso, cerca de metade das mulheres com infertilidade têm endometriose.

Mas isso não quer dizer que a mulher seja estéril. A gestação é possível para várias mulheres que seguem o tratamento adequado, mesmo em casos de endometriose profunda.

O meu principal recado é: se você sofre com os sintomas que mencionei, investigue a causa. Todo tipo de endometriose, seja superficial, seja profunda, deve ser tratada.

Até a próxima!


Dra. Thaísa Bramusse


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